Impossível passarem despercebidos o que, inicialmente, só chamaremos de “acontecimentos históricos”, mas talvez muitos não enxerguem ou deem a devida importância ao fato de que Barra de São Miguel caminha a passos largos para ter um futuro promissor, sem medo dos efeitos mais graves da seca, decorrente de três obras que se concluem.Por mais de 100 anos se falou na transposição do Rio São Francisco, não sabemos até quando continuará discutida como uma obra não concluída por outros beneficiários, porém é fato que parte desta, a do eixo leste, que desaguará no Rio Paraíba, se concluirá nas próximas semanas. Os benefícios para as regiões mais afetadas com a seca serão imensuráveis, haja vista que uma cidade do porte de Campina Grande demanda muita água e, a menos que as chuvas caiam na bacia afluente do açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, tem sua população descrente em qualquer outra solução que não seja esta, salientando que destacamos Campina pela dificuldade de ações emergenciais e contingenciais. Mas perguntamos: e Barra de São Miguel?
Barra, segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas (AESA) do Estado da Paraíba, tem precipitação média anual de 400 mm, e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem como segunda componente de sua economia, responsável por 40,66%, a agropecuária, baseando-se esse fator à larga produção conhecida de frutos, verduras e hortaliças na região denominada de “Beira do Rio”. A transposição trará água que aquecerá o setor agropecuário, principalmente com a agricultura, mesmo sabendo que haverá – pelo menos se fala – um controle do volume que será liberado para irrigação, mas que dependerá apenas da otimização do uso que poderá ser ininterrupto, pois o Rio Paraíba se encontrará com escoamento contínuo. Além disso, toda a região estará banhada por uma água de qualidade para o abastecimento humano e a dessedentação animal.A segunda obra muito falada é a Adutora Boqueirão – Barra de São Miguel, obra esta que passou apenas de promessas ao projeto durante gestões e gestões do Estado, mas que até o governo de Ricardo Coutinho não saia disso. A adutora vem sendo construída, é destacável que lentamente, justificada a lentidão pela seca, impossibilidade de aumentar a captação no Epitácio Pessoa, e necessidade de investimentos emergenciais em outras obras. Quem imaginou água de qualidade nas torneiras dos barrenses de inverno a verão? Acreditamos que ninguém, mas em breve teremos isto.
Por sua vez, a terceira obra, também muito falada, pois há décadas se fala em um trabalho no açude Riacho do Bichinho, saiu da conversa e foi realizada. João Batista iniciou sua gestão fazendo o que todos queriam e aplaudiram: desassoreou a bacia, reformou a parede e reabriu o sangradouro do açude. A capacidade estimada pela AESA é de 4.574.375 m³, mas pelo volume de aterro que era visto sabíamos que essa estava bem reduzida, até por isso, nos anos de chuva em que este sangrou, não suportou muitos anos para secar. Foi uma obra que deu, também, segurança à parte da cidade que poderia vir a ter problemas porque o sangradouro estava obstruído e com isto, havendo chuvas muito fortes, problemas em sua parede que estava muito desgastada eram possíveis, até mesmo um rompimento.
Unindo as três importantes obras, pode ser traçado um cenário promissor para Barra de São Miguel: o Rio Paraíba dará suporte ao abastecimento e à irrigação em toda a Beira do Rio, principalmente nos populosos distritos de Riacho Fundo e Floresta, e haverá maciça geração de emprego e renda; o açude de Boqueirão terá água que permitirá o funcionamento da adutora que levará água para distribuição na zona urbana; e o açude Riacho do Bichinho está apto a receber águas das chuvas, com estrutura mais segura, e deverá manter-se por mais tempo abastecendo a cidade. Não são, então, apenas acontecimentos históricos, mas obras estruturantes, talvez as mais importantes da história para uma cidade do cariri paraibano.
Água é tudo para o nordestino, paraibano, “caririzeiro” e barrense.


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